sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Carlos Drumond de Andrade : As sem-razões do amor

Meu predileto poeta, Drumond, brinca com o título ironizando as muitas razões que normalmente temos para amar. Esse poema é um dos meus favoritos.

As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

3 comentários:

A Mina do cara! disse...

Também considero meu poeta favorito. Adoto ler Drummond. Também adoro o Quintana; sexta passei dois poeminhas do Quintana para meus alunos pequenos, eles gostaram.

A vida é assim mesmo, tem horas que meninos e meninas aprendem que poesia não morde.

ótimo final de semana.

Cris Mitsue disse...

Drummond é algo fenomenal... Recentemente comecei a ler mais. Incrível! E lindo lindo esse poema!

Sem mais.
Quintana é ótimo. Faça uma postagem com ele, é sempre bom também! :D

Beijão, Pati, e desculpa pela ausência aqui no blog.

A Mina do cara! disse...

Semana passada passei aos meus alunos O amor antigo, do Drummond. Eles gostaram.

O que eu quero é que eles não tenham medo de poesia. Espero conseguir...