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sexta-feira, 28 de outubro de 2011

Carlos Drumond de Andrade : As sem-razões do amor

Meu predileto poeta, Drumond, brinca com o título ironizando as muitas razões que normalmente temos para amar. Esse poema é um dos meus favoritos.

As sem-razões do amor


Eu te amo porque te amo,
Não precisas ser amante,
e nem sempre sabes sê-lo.
Eu te amo porque te amo.
Amor é estado de graça
e com amor não se paga.


Amor é dado de graça,
é semeado no vento,
na cachoeira, no eclipse.
Amor foge a dicionários
e a regulamentos vários.


Eu te amo porque não amo
bastante ou demais a mim.
Porque amor não se troca,
não se conjuga nem se ama.
Porque amor é amor a nada,
feliz e forte em si mesmo.


Amor é primo da morte,
e da morte vencedor,
por mais que o matem (e matam)
a cada instante de amor.

quarta-feira, 3 de agosto de 2011

O meu país - Interpretação de João de Almeida Neto


O Meu País
(Livardo Alves e Orlando Tejo da Paraíba, Gilvan Chaves de Pernambuco)
Interpretação: João de Almeida Neto do Rio Grande do Sul


Um país que crianças elimina
e não ouve o clamor dos esquecidos.
Onde nunca os humildes são ouvidos
e uma elite sem Deus é que domina.
Que permite um estupro em cada esquina
e a certeza da dúvida infeliz,
onde quem tem razão baixa a cerviz
e maltratam o negro e a mulher,
pode ser um país de quem quiser,
mas não é, com certeza, o Meu País.

Um país onde as leis são descartáveis
por ausência de códigos corretos
com 90 milhões de analfabetos
e multidão maior de miseráveis
um país onde os homens confiáveis
não têm voz, não têm vez, nem diretriz,
mas corruptos têm voz, têm vez, têm bis
e o respaldo de um estímulo incomum
pode ser o país de qualquer um,
mas não é, com certeza, o Meu País.

Um país que os seus índios discrimina,
e a ciência e a arte não respeita,
um país que ainda morre de maleita
por atraso geral da medicina,
um país onde a escola não ensina
e o hospital não dispõe de raio-x
onde o povo da vila só é feliz
quando tem água de chuva e luz de sol
pode ser o país do futebol,
mas não é, com certeza, o Meu País.

Um país que é doente, não se cura,
quer ficar sempre no terceiro mundo
Que do poço fatal chegou ao fundo,
sem saber emergir da noite escura.
Um país que perdeu a compostura,
atendendo a políticos sutis,
que dividem o Brasil em mil Brasis,
para melhor assaltar de ponta-a-ponta,
pode ser um país de faz-de-conta,
mas não é, com certeza, o Meu País.

Um país que perdeu a identidade,
sepultou o idioma português
aprendeu a falar pornô e inglês,
aderindo à global vulgaridade.
Um país que não tem capacidade
de saber o que pensa e o que diz.
E não sabe curar a cicatriz
desse povo tão bom que vive mal,
pode ser o país do carnaval,
mas não, é com certeza, o Meu País.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Metamorfoses de Ovídio - poema Cosmogonia

Metarfoses não é a versão integral de um dos maiores esforços poéticos da época - cerca de doze mil versos, distribuídos em quinze livros, que trazem à tona aproximadamente duzentos e cinqüenta lendas, segundo Zélia de Almeida Cardoso em seu livro sobre Literatura Latina; enfim, a essa obra é que devemos parte de nosso conhecimento acerca de alguns episódios da mitologia greco-latina.

Públio Ovídio Nasão, poeta latino, escreveu os versos, dedicando-os à transformação, uma espécie de versão mitológica da história natural em ordem cronológica. Escritos na época que foi banido de Roma, pelo imperador Augusto, o Metamorphoseon Libri é, sem dúvida nenhuma, o poema mais importante da tradição greco-romana, muitos pintores, escultores e outros artistas se inspiraram nos versos de Ovídio, uma ode à tradição dos ardentes amores mitológicos do universo pagão que alimentou a fantasia de gerações através dos séculos. Além de legar a posteridade a estilista e a estrutura de seus versos, no caso do Metamorphoseon, versos hexamétricos, em sua inimitável facilidade de metrificar.

O poema tem caráter etiológico, isto é, conta a origem das plantas, animais e minérios deste a origem mitológica até o tempo do poeta, onde nos últimos versos, o tio de Augusto, Júlio César é transfigurado em cometa pela deusa Vênus após ser assassinado. Todos os versos estão articulados em torno de fábulas em que se registra uma transformação. Nesta edição, o célebre Manuel Maria Barbosa, du Bocage, faz uma das mais notáveis versões, que escolhe trechos da obra hercúlea para formar uma medida única, ou como escreve na introdução, o professor João Ângelo Oliva Neto, Bocage dá um ritmo, " o texto de Bocage tem o condão de se fazer ler e ouvir sem que se percam o tom, as imagens, e principalmente, o deleite na compreensão".

Bocage versificou os hexâmetros latinos em seus decassílabos, mesmo que sejam enxertos, o poeta consegue nos mostrar diversas histórias, aos quais são: As metamorfoses, Io, Precipicio de Faetonte, A gruta da inveja, O roubo de Europa por Júpiter, A morte de Píramo e Tisbe, Cadmo e Hermíone, Atlante convertido em monte, Progne, Tereu e Filomela, O roubo de Orítias por Bóreas, A descida de Orfeu aos infernos a buscar Eurídice, Ciniras e Mirra, Midas convertendo tudo em ouro, A gruta do sono, Ésaco e Hespéria, O sacrifício de Polixema e a metamorfose de Hécuba, sua mãe, Pico e Canente, A apoteose de Enéas, A apoteose de Rômulo e Hercília e A alma de Júlio César mudada em cometa.

Um canto épico, onde o amor pessoal suplanta deuses e homens. Mortais se transmutam-se de forma tão valorosa que os deuses descem ao mais baixo grau de passionalidade. Uma obra única, que faz pensar que o melhor caminho de se transmutar-se é percorrer a si próprio.

Cadorno Teles

Fonte:http://www.letraselivros.com.br/index.php?option=com_content&task=view&id=583&Itemid=65


OVÍDIO

Cosmogonia


Antes do mar, da Terra e Céu que os cobre
Não tinha mais que um rosto a Natureza:
Este era o Caos, massa indigesta, rude
E consistente só num peso inerte.
Das coisas não bem juntas as discordes,
Priscas sementes em montão jaziam;
O Sol não dava claridade ao mundo,
Nem, crescendo, outra vez se reparavam
As pontas de marfim da nova Lua.
Não pendias, ó Terra, dentre os ares,
Na gravidade tua equilibrada,
Nem pelas grandes margens Anfitrite
Os espumosos braços dilatava.
Ar e pélago e terra estavam mistos:
As águas era, pois, inavegáveis,
Os ares, negros, movediça, a terra.
Forma nenhuma em nenhum corpo havia
E neles uma coisa a outra obstava,
Que em cada qual dos embriões enormes
Pugnavam frio e quente, húmido e seco,
Mole e duro, o que é leve e é pesado.
Um Deus, outra mais alta natureza

À contínua discórdia enfim põe termo:
A Terra extrai dos céus, o mar da Terra
E ao ar fluido e raro abstrai o espesso.
Depois que a mão divina arranca tudo
Do enredado montão e o desenvolve,
Em lugares diversos que lhe assina,
Liga com mútua paz os corpos todos.
Súbito ao cume do convexo espaço
O fogo se remonta ardente e leve;
A ele no lugar, na ligeireza
Próximo fica o ar; mais densa que ambos
A Terra puxa os elementos vastos,
Da própria gravidade é comprimida.
O salitroso humor circunfluente
A possui, a rodeia, a lambe e aperta.
Assim, depois que o Deus (qualquer que fosse)


O grão corpo dispôs, quis dividi-lo
E membros lhe ordenou. Para que a Terra
Não fosse desigual em parte alguma,
Por todas a compôs em forma de orbe.
Ao mar então mandou que se esparzisse,
Que ao sopro inchasse dos forçosos ventos
E orgulhoso abrangesse as louras praias;
À mole orbicular deu fontes, lagos,
Rios cingindo com oblíquas margens,
Os quais, em parte obsortos pelas terras
Várias, que vão regando, ao mar em parte
Chegam e, recebidos lá no espaço
De águas mais livres e extensão mais ampla,
Em vez das margens assalteiam praias.
O Universal Factor também dissera:


“Descei, ó vales, estendei-vos, campos,
Surgi, montanhas, enramai-vos, selvas!”
Como o Céu, repartido, à dextra parte
Tem duas zonas, à sinistra, duas.
E uma, no centro, mais fogosa que elas,
Assim do Deus o próvido cuidado
Pôs iguais divisões no térreo globo,
Ele é composto de outras tantas plagas:
Aquela que das mais está no meio
Em calores inóspitos se abrasa;
Alta neve enregela e cobre duas;
Outras duas, porém, que entre elas ambas
O Númen situou, são moderadas:
Misto o frio e calor. Fica eminente
A estas o ar que, assim como é mais leve
O pesa da água que da terra o peso,
Tanto mais peso coube ao ar que ao fogo.
Deus ordenou que as névoas e que as nuvens
Errassem no inconstante, aéreo seio;
Que os ventos o habitassem, produtores
Dos penetrantes frios que estremecem,
E os raios, os trovões que o mundo aterram;
Mas o Supremo Autor não deu nos ares
Arbitrário poder aos duros ventos:
Bem que rebentem de encontrados climas,
Resistir-se-lhe pode à fúria apenas,
Vedar que em turbilhões lacere o mundo:
Tanta é entre os irmãos a desavença!
Euro foi sibilar ao céu da Aurora,


Aos reinos nabateus, à Pérsia, aos cumes
Que o raio da manhã primeiro alcança.
O Véspero, essas plagas, que se amornam
Com Febo ocidental, estão vizinhas
Ao Zéfiro amoroso; o fero Bóreas
Da Cítia fera e dos Triões se apossa;
As regiões opostas humedece
Austro chuvoso com assíduas nuvens.
O Númen sobrepôs aos elementos
O líquido e sem peso éter brilhante
Que das terrenas fezes nada envolve.
Logo que tudo com limites certos


Foi pela eterna dextra sinalado,
As estrelas, que opressas, que abafadas
Houve em si longamente a massa escura,
A arder por todo o Céu principiaram;
E, porque não ficasse do universo
Alguma região desabitada,
Astros e deuses tem o etéreo assento,
O mar aos peixes nítidos é dado,
Aves, ao ar, quadrúpedes, à terra.



Fonte: Livro Metamorfoses com tradução de Bocage.

sexta-feira, 7 de maio de 2010

Boas Notícias: Poema de uma querida escritora, Ana Bailune, do Recanto das Letras


Boas Notícias

Mandem-me boas notícias:
Digam que a guerra acabou,
Que quem chorava, se alegrou,
Que a semente do ódio secou.

Mandem-me fotos bonitas
De paisagens comoventes,
De sorrisos reluzentes,
E gente cheia de vida.

Digam que a morte saiu,
E que não voltará mais
Que pelo menos, por um ano,
Não haverá funerais.

Mandem-me linda canção
Que me alegre o coração,
Uma mensagem de vida
Que expurgue a dor contida.

Digam-me que, por um tempo
Sobre a terra, haverá
Apenas bons pensamentos
Que tragam contentamento.

Mandem-me boas notícias,
Eu aguardo, e acredito
Que elas hão de chegar.
Eu estarei à janela
Fitando o horizonte infinito
Confiante, a esperar.
Ana Bailune

domingo, 23 de agosto de 2009

Jefferson Dieckmann: outro escritor que conheci no Recanto


Jefferson Dieckmann também é um escritor do Recanto das Letras e por isso tive a oportunidade em conhecer um pouco do seu trabalho. Além disso, ele tem um blog: http://www.jdieckmann.blogspot.com , o qual eu sigo e no Recanto http://recantodasletras.uol.com.br/poesias/1613005
Divido, então, dois belos poemas do autor.

Vento norte
(Jefferson Dieckmann)

A chuva lava
O vento varre
Derrama o vinho
Apaga a vela
O olhar procura
O sorriso acende
O tempo passa
O destino sela...
.
Tempos
(Jefferson Dieckmann)
.
Em algum lugar do passado
Você foi o meu presente
Meu dom
Minha ópera
Minha música
Meu tom
Em outro tempo
Respirado
Sentido
Vivido
Também já percorrido
Te vi como futuro
Promessa
Esperança
Ar a ser inalado
Alegria a ser vivida
Perfume a ser exalado
Continuação
Perpetuação
Destino
Mas, eis que então
Sem aviso
Sem prenúncio
Posturas
Atos
Atitudes
Fatos
Me fizeram ver
Permitiram perceber
O antes passou
O depois não chegou
E, eis que hoje
Nesta data
Nesta hora
Neste dia
Relembro
Repenso
Reflito
E um tanto triste, admito
Que nem como meu pretérito
Perfeito
Mais-que-perfeito
Não te aceito
Não te consinto
Não te admito

quinta-feira, 20 de agosto de 2009

Mais uma de Cardenal

Mais uma poesia de Ernesto Cardenal, essa eu não poderia deixar de apresentá-la, pois a considero uma poesia de versos fortes, que transmite uma mensagem tão expressiva, tão apaixonada e ao mesmo tempo com tanta mágoa...


POEMA
Traduzido por Paulo Sant’ana (Jornal Zero Hora - RS)

Tu e eu, ao perdermos
um ao outro,
ambos perdemos.
Eu, porque tu eras o que
eu mais amava,
tu, porque eu era quem
te amava mais.
Mas, entre nós dois,
tu perdes mais do que eu.
Porque eu poderei amar
a outras
como amei a ti.
Mas a ti nunca ninguém
jamais amará
como eu te amei.

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Ernesto Cardenal: Oração por Marilyn Monroe


(Granada, Nicarágua, 1925 )
Ernesto Cardenal um dos poetas, vivos, mais importantes da América Latina.
Foi padre de 1965 à 1979 e ministro da Cultura. Em 1985 foi suspenso, pois, segundo Vaticano, sua missão sacerdotal era incompatível com seu cargo político.
Recebeu o Prémio Rubén Darío, o mais importante das letras nicaraguenses (em 1965), a Ordem cubana "Haydeé Santamaría" (1990) e o Prémio da Paz dos livreiros alemães (1980).
*
ORAÇÃO POR MARILYN MONROE (1971)
Trad. de Antonio Miranda
(Retirado do site http://www.antoniomiranda.com.br/)

Senhor
recebe a esta moça conhecida em toda parte pelo nome de Marilyn Monroe
mesmo que esse não fosse seu verdadeiro nome
(mas Tu conheces seu verdadeiro nome, o da pequena órfã violada aos 9 anos
e da empregadinha de loja que aos 16 anos já queria se matar)
e que agora se apresenta diante de Ti sem maquiagem
sem um Agente de Imprensa
sem fotógrafos e sem dar autógrafos
solitária como um astronauta diante da noite espacial.

Ela sonhou quando menina que estava nua numa Igreja (pela versão do Time )
ante uma multidão prostrada, com as cabeças no chão
e tinha de caminhar pé ante pé para não pisar nas cabeças.
Tu conheces nossos sonhos melhor que os psiquiatras –Igreja, casa, cova são a segurança do seio materno
mas também algo mais que isso...
As cabeças são os admiradores, é claro
(a massa de cabeças na escuridão debaixo do facho de luz).
Mas o templo não são os estúdios da 20th Century Fox.
O templo – de mármore e ouro – é o templo de seu corpoem que está o Filho do Homem com látego na mão
expulsando os mercadores da 20th Century Fox
que fizeram de Tua casa de oração um covil de ladrões.

Senhor
neste mundo contaminado de pecados e radioatividade
Tu não culparás tão-somente a empregadinha da loja.
Que como toda empregada de loja sonhou ser estrela de cinema.
E seu sonho tornou-se realidade (mas com a realidade do technicolor).
Ela não fez senão atuar conforme o script que lhe demos
- O de nossas próprias vidas – E era um script absurdo.
Perdoa Senhor e perdoa-nos a todos pela nossa 20th Century Fox
por esta Colossal Superprodução em que todos nós trabalhamos.

Ela tinha fome de amor e lhe demos tranqüilizantes,
para a tristeza de não ser santos, recomendamos-lhe a Psicanálise.
Lembra-te Senhor de seu crescente pavor à câmera
e o ódio à maquiagem – insistindo em maquiar-se em cada cena –e como foi se tornando maior o
horror
e maior a impontualidade nos estúdios.

Como toda empregada de loja
sonhou tornar-se estrela de cinema.
E sua vida foi irreal como um sonho que um psiquiatra interpreta e arquiva.

Seus romances foram um beijo com os olhos fechados
que quando se abrem
descobre-se que foi sob os refletores
e apagam os refletores!
e desmontam as paredes do aposento (era um set cinematográfico)
enquanto o Diretor se afasta com sua caderneta porque a cena já foi filmada.
Ou uma viagem de iate, um beijo em Cingapura, um baile e no Rio
uma recepção na mansão do Duque e da Duquesa de Windsor
vistos na TV de um apartamento miserável.

O filme terminou sem o beijo final.
Foi achada morta em sua cama com a mão no telefone.
E os detetives não souberam a quem ela ia chamar.

Foi como alguém que discou o número da única voz amiga
e ouviu apenas a voz de uma gravação que diz: WRONG NUMBER.
Ou como alguém que ferido pelos gangsters
estende a mão a um telefone desligado.

Senhor
quem quer que tenha sido quem ela queria chamar
e não chamou (e talvez fosse ninguém
ou era Alguém cujo número não está na Lista de Los Angeles)
atende Tu ao telefone!

domingo, 26 de julho de 2009

Poesia de Goethe


Feliz só será

Feliz só será
A alma que amar.
'Star alegre
E triste,
Perder-se a pensar,
Desejar
E recear
Suspensa em penar,
Saltar de prazer,
De aflição morrer —
Feliz só será
A alma que amar.
*
Goethe, in "Canções"
Tradução de Paulo Quintela

sexta-feira, 24 de julho de 2009

Ambiguidade de amor em Tim Maia e Marisa Monte

Podemos sentir diversos tipos de amor. Amor de homemXmulher, amor fraterno, por um amigo, amor de filho ou por um filho.
A beleza da Literatura está em justamente podermos nos apropriar dela para os nossos sentimentos. Dependendo do nosso estado de espírito, uma mesma letra, pode nos servir de consolo, entretenimento ou reflexão ao que estamos passando naquele momento. Uma pessoa que está apaixonada, que está começando um novo amor ou algo significativo, que eleve seu estado emocional, que mexa ou abale suas estruturas, irá se relacionar com a música “Mais uma vez” de Marisa Monte ou “Gostava tanto de você” do Tim Maia de uma maneira. Entretanto, essas mesmas pessoas podem, em um outro momento de sua vida, sentir, compreender ou interpretar essas mesmas canções sob outro aspecto. Por exemplo, o amor por um filho. De fato, até onde pude analisar as letras e o que sei sobre um pouco da história dos artistas, pude concluir que elas foram criadas pensando em seus filhos. Tim Maia perdeu sua filha quando esta ainda era muito jovem. Marisa Monte tem um filho, viaja o tempo inteiro, fica longe. Claro que isso não determina nada, cada leitor, cada ouvinte tem o direito de se apropriar do texto ou da canção. A Literatura permite que isso ocorra. Na verdade, Literatura é isso. E a ambiguidade é o que torna um poema, seja ele em forma de texto ou música, maravilhosamente belo e rico.
Leia, cante, se emocione, conforme suas emoções permitirem.


Mais uma vez (Marisa Monte)
*
Mais uma vez eu vou te deixar
Mas eu volto logo pra te ver
Vou com saudades no meu coração
Mando notícias de algum lugar...
Eu sei, que muitas vezes te fiz esperar demais
Mas mesmo na distância o meu pensamento voa longe demais
Fico imaginando você sofrendo na solidão
Quando eu vou deitar penso em você em seu quarto dormindo
AhhhhLonge de você meu bem, longe da alegria
Longe de você meu bem, longe do nosso lar ....
Mais uma vez...




Gostava tanto de você (Tim Maia)

*
Não sei porque você se foi

Quantas saudades eu senti

E de tristezas vou viver

E aquele adeus não pude dar...

Você marcou na minha vida

Viveu, morreu

Na minha história

Chego a ter medo do futuro

E da solidão

Que em minha porta bate...

E eu! Gostava tanto de você

Gostava tanto de você...

Eu corro, fujo desta sombra

Em sonho vejo este passado

E na parede do meu quarto

Ainda está o seu retrato

Não quero ver prá não lembrar

Pensei até em me mudar

Lugar qualquer que não exista

O pensamento em você...

sábado, 11 de julho de 2009

Jasmim em minha infância! Poetrix

Eu não sabia o que era um Poetrix, agora eu sei mais ou menos.



Sei que é um tipo de poesia em que o divertido é brincar de desconstruir as palavras, reconstrindo-as, misturar palavras, dar novos sentidos às palavras etc.



Quando passei por um pé de jasmim, lembrei da minha infância. Então...

Jasmim em minha infância!

*****Em minha
**************infância,
**********************jasmim;

******************************jaz
*********************************em mim,
*****************************************minha infância.


Pati

quinta-feira, 30 de abril de 2009

Minha casa



Minha casa era engraçada,
Quase não tinha teto,
Quase não tinha porta,
Era só um quarto-e-sala.

Tinha uma cor esquisitinha.
Eu pensava que era verde,
Na verdade era preta,
De tanto limo que tinha.

E eu que nem percebia,
Fui avisada por Aninha,
Fiquei triste e emudecera,
Pela casa que eu tinha.

Parecia que dançava
Quando vinha um vento forte,
Com a brisa que entrava
Se não caía, era sorte!
Patrícia Castro